segunda-feira

entrevista exclusiva com mario viana colaborador de mascaras


E COM VOCÊS O GRANDE DRAMATURGO , ESCRITOR , JORNALISTA E PRA DIZER MELHOR O CAMALEÕNICO MARIO VIANA ....SEM MASCARAS PRA VOCÊS...
pn:  o que  levou voce  a fazer jornalismo? e que diferença voce  fez na epoca ?
Decidi fazer faculdade de jornalismo já no fim do segundo grau, em 1977. Minha família, de origem bem humilde, migrantes nordestinos instalados na zona norte de SP, não queria. Diziam que não era profissão pra filho de pobre... Briguei, entrei na Cásper Líbero.




pn:  voce se formou na casper libero , porque não ingressou na tv gazeta ? o que seria normal , ja que a gazeta  e a caspe são da mesma entidade.

Porque tentei Fuvest e não consegui. Havia na época jornalismo na PUC, mas era caro demais. A Cásper era mais em conta e, melhor ainda, mais rápida, só 3 anos de curso. A Gazeta era o pior emprego pra alguém... rs rs... Pagava mal pra caramba... No primeiro ano do curso, consegui uma vaga como repórter numa agência de jornais de empresa, house organs, Fiquei um ano ali e consegui entrar na revisão da Editora Abril. Passei a trabalhar das 22 às 6h, fazia faculdade das 7h30 ao meio dia e ia pra casa dormir à tarde. Às vezes, fazia frilas na área de cultura. Durante um tempo fiz até crítica de shows pra Isto É, que naquela ocasião era uma revista super legal, de esquerda, combativa. O editor era o Wagner Carelli.



pn:  voce trabalhou na  folha  de são paulo , qual foi sua coluna la e qual foi seu maoir furo de reportagem la ?
Morei 1 ano e meio na Europa, de mochileiro, maluco, foi meu período mais indie... rs rs... Morei em Portugal e França. Quando voltei, fiz teste pra repórter da Folha e passei. Entrei em 83, como repórter de polícia, plantáo da noite... Depois de quase um ano mudei pra tarde e fui me dando melhor. Acho que meu primeiro grande trabalho lá (fiquei 5 anos no jornal) foi a cobertura sobre um escoteiro que foi acampar e desapareceu. Sumiu, simplesmente, não saiu de lá, não foi morto, nada. Evaporou. Até hoje ninguém sabe dele. Depois, fiz uma série de reportagens (junto com Emanuel Néri) sobre torturas a presos comuns. Foi um período duro, mas de muito aprendizado. Tenho amigos fieis desde aquela época.



pn:  na revista veja voce ja trabalhou tambem , qual matria sua foi a mais polemica na revista veja?
Eu trabalhei na Veja São Paulo, que não chegava a ser polêmica. Tenho a honra de ter feito a primeira reportagem de capa que uma revista dedicou à escritora Lygia Fagundes Telles, em 1989. Fiz também uma reportagem enorme sobre os judeus de S. Paulo. Foi bem legal. Adorava trabalhar na revista. Apesar das diferenças políticas, a Veja/Veja S. Paulo ensina muito a gente a estruturar um texto, raciocinar a reportagem. Depois de lá, fui pro Estadão, onde acabei "reinando" por 10 anos como editor do caderno Viagem. Chegou a ser o mais importante e influente em sua área. Chegávamos a fechar edições de 32 páginas semanais!!!! Era uma loucura!



pn:  voce como dramaturgo  recebeu uma menção honrosa em 2000 , com a peça flexadas do teu olhar , qual a emoção de receber este , e outros premios ?
Adorei, claro, mas Flechadas me dá muita tristeza, porque nunca foi montada. A herdeira do Adoniran Barbosa - a peça é uma viagem pela obra dele - não gosta de algumas cenas e vetou a montagem. Tristeza profunda.



pn:  trabalhar com os parlapatões  deve ter sido muito prazeroso  , descreva este momento?

Trabalhar com os Parlapatões ultrapassa o prazeroso. É desafiador mesmo. Hugo Possolo sempre me joga propostas ousadas, me tira do conforto, me ensina, me ouve. A gente é muito parceiro. No dia em que ele me telefonou propondo da gente fazer alguns trabalhos - que desembocariam no Pantagruel - eu pulava na sala feio criança.


pn:  voce ja trabalhou com grandes nomes do teatro, como luis alberto de abreu, rosi campos , zeze barbosa, hugo possolo o grande  e eterno paulo autran , entre outros , como e ser tão querido  por grandes personalidades do teatro assim?
Vou falar uma coisa que parece mentira, mas juro que não é, te dou o telefone da minha analista e ela confirma... rs... Mas só recentemente me caiu a ficha... Eu listei esse povo, fiquei olhando os nomes... E cheguei à conclusão que devo ter algum borogodó chamado talento... Tem outros com quem eu ainda não trablahei, mas já até conversamos a respeito - Marília Pera, Marieta Severo... só gente fina... Todos, em comum, carregam o fato de encararem a profissão com uma tremenda seriedade, um tremendo respeito. Isso nos une.



pn:  com a montagem de  galeria  metropole  voce ganhou  o premio  cidadania  em teatro da associação  da parada lgbt,como e escrever para um publico  tão culto como os lgbts ?e como foi ganhar esse premio?
Galeria foi uma das grandes alegrias da minha carreira teatral - havia Rubens de Falco, que se entregava ao papel com uma dedicação comovente... e todo o elenco... era muito gostoso... O prêmio foi bem bacana, especialmente por vir da associação... É uma pena que a crítica quase não viu e o público até viu, mas tiraram logo de cartaz...



pn:  em 2004 teve  a leitura dramatica de sua peça  vestir o pai , no festival  inter city são paulo em florença  e roma , qual foi  a emoção desse acontecimento?
Eu tava de férias no Marrocos e lembro que cismei de olhar os emails. Na época, não era tão comum e eu paguei uns 10 dólares por meia hora!!! E tinha o convite do festival! Eu ainda fiquei uma semana em Roma, voltei pro Brasil, acertei as coisas e voltei pra Itália!!!! Quem perguntava o que eu ia fazer de novo lá, eu dizia que tinha comprado umas roupas no Armani e tinha mandado fazer a barra... rs rs... O Festival foi muito legal, a organizadora (que já morreu) era uma figura ímpar e os ajudantes dela eram divertidíssimos. Sem falar que tinha uma galera legal na viagem: Aimar Labaki, Debora Dubois, Bosco Brasil, Cassio Pires... Mas o mais emocionante foi a leitura da peça em Roma, na Accademia Santa Cecilia. Depois da leitura, ótima, veio uma velhinha italiana conversar comigo, falando um pouco de português... Ela era viúva do Ruggero Jacobbi, um dos fundadores do TBC, e sabia que Vestir o Pai fora dirigida no Brasil pelo Paulo Autran... Cara, até hoje me emociono de lembrar...


pn:  ainda em 2004 voce trabalhou no sbt como colaborador  da novela seus olhos , junto com fabio torres sobre  coordenação de aimar labaki, como foi essa experiencia no sbt e com aimar ?
Foi um susto. Eu e o Fabio, grande Fabio, nunca tínhamos feito novela e entramos nos 3 meses finais de Seus Olhos... Tinha no elenco o Petronio Gontijo, Juan Alba, Bete Coelho... gente de quem fiquei amigo depois... Foi um ótimo e assustador início...



pn:  a parceria com aimar labaki , so estava começando , na band voces trabalharam juntos em paixões proibidas ,novela  de epoca adaptada da obra de  camilo castelo branco com grande elenco e grandiosa historia . e porque voce acha que  a novela não pegou ?pois tinha tudo pra ser um grande sucesso.
Adoro o trabalho que desenvolvemos em Paixões Proibidas. Pena que a Band não colaborou... Mudou a novela das 22h pras 17h, sem avisar a gente, tivemos que mudar tooooda a trama... Era muito precário... Mas, depois disso, fui colaborador da Yoya Wursch em "Dance Dance Dance" (junto com Marcio Tadeu Santos e Flavio Queiroz). Foi um dos trabalhos mais divertidos e gostosos de fazer. Delícia total.



pn:  em 2009, voce integra  a equipe de lauro cesar muniz , em poder paralelo , novela  de grande destaque da record , como foi essa parceria e a reação do publico?
Vocë sabe que o Lauro me convidou pra trabalhar com ele no dia da morte do Paulo Autran? A gente se encontrou no bar dos Parlapatões, todos sob o impacto da notícia, e ele me fez o convite. Louco, né? Três tremendas influências na minha carreira no mesmo cenário...  Tinha Dora Castllar, Aimar Labaki, Newton Cannito, Rosana Lima e a pesquisadora Rosani Madeira. Direção do Ignacio Coqueiro. Foi muito legal, porque o Lauro não é fácil, é muito exigente, não aceita qualquer coisa... Eu me pus na posição de iniciante mesmo, verde. Fui lá disposto a aprender. E a reação do público foi excelente. Tony Castellamare e Bruno Villar ficaram na história! Os atores mandavam super bem. E tive o prazer de escrever cenas muito fortes, dramáticas (eu, um comediógrafo) pro personagem do Petronio, o Rudi. Era bom demais.



pn:  voce escreveu alguns episodios da serie avassaladoras  na record , como foi fazer  o seriado depois do sucesso do filme no cinema ?
Foi um trabalho com meu amigo Renê Belmonte, roteirista de primeira, com quem pretendo fazer mais coisas. Mas o seriado não foi o que a gente queria, não.



pn:  em 2006 montevidéu recebe a peça  vestiendo  o papa , de sua autoria como voce ve suas obras sendo representadas fora    do pais ?
Delicioso. Fui ver a montagem, conversava com o público, fui às rádios... A atriz que fez lá, a Lilia Ollagaray, é uma espécie de primeira dama do teatro uruguaio (e o uruguaio adora teatro, são apaixonados!). A peça teve críticas muito boas - algumas nem tanto, rs, mas faz parte. Ficou 6 meses em cartaz. É bom demais ouvir as pessoas rindo de seu texto em outro idioma. Mostra que vc acertou alguma coisa...



pn:  voce ja escreveu mais de vinte  textos  teatrais, fora as adaptações , como voce consegue destinguir tão bem cada historia pra não se repetir ? qual o segredo?
Não faço ideia do segredo, mas escrever é algo que sei fazer, que faço com prazer. Eu não sofro pra escrever. Eu curto muito. E tento não me repetir, tento arriscar, ousar, sair da zona de conforto. Talvez o segredo esteja nessas duas coisas - o prazer e o risco.



pn:  agora em 2012 voce esta na equipe  de mascaras  da record ,como foi pra voce ver mascaras cair tanto no ibope derepnte , ao que voce atribui essa queda?sabendo que a ovela  tem uma historia  que não tem os terriveis cliches de sempre das novelas atuais sera que o brasileiro não tem cultura e gosta de ver so o que não presta? opine?
Máscaras tem uma história forte, completamente distante dos chavões de vingancinha de outras novelas. Acho que ousou-se demais - o menage a trois das duas irmãs, uma insinuação de incesto - mas não se avança sem ousadia. Pagamos um preço alto, infelizmente. A inconstância do horário também prejudicou muito. Mas temos um fã clube fiel, com quem eu tento conversar toda noite no Twitter.


pn:  e agora  depois  da troca de diretor  e alguns ajustes voce achaque mascaras póde ser vista como uma novela que não se ve sua historia em canal nenhum, e uma historia que vai marcar a historia da teve brasileira ,mas não pela critica e pelo grande publico mas sim como uma novela inedita na tv pois sua historia e unica . opine?
Eu viajei duas semanas com Ignacio, depois fiquei mais duas semanas refazendo as edições... O Ig fez o possível pra manter a novela nos trilhos. É um cara de primeira grandeza, além de pessoa amável, gentil, culta... Edgard Miranda veio com nova proposta, uma pegada mais aventura, mais ação, e também foi excelente. Não saberia, nem poderia comparar os trabalhos deles.  Agora, não posso jamais dizer que a novela não fez sucesso porque brasileiro não tem cultura. Isso é preconceito. Temos, sim, cultura ampla, mais geral do que a de muitos americanos e europeus, para quem Brasil fala espanhol... Nós sabemos do mundo. A novela não entrou na veia, isso acontece. Tem coisa que faz sucesso e você também não entende. Pergunte no SBT se eles esperavam a explosão de Carrossel. Não esperavam.



pn: voce não tem vontade de escrever sua propria novela na record? se sim , voce ja tem alguma historia quase que pronta?
Tenho vontade de escrever meus próprios projetos, sim. Me aguardem.



pn:  pra voce ser dramaturgo é ...
Escrever com paixão sobre paixão. Fazer rir e fazer chorar. Expurgar as dores e os medos nas histórias dos personagens. E ainda colocar o nome dos que vocë gosta em personagens legais e dos que você não gosta em personagem mala... rs



pn  uma reflexão ...
Sabe porque algumas figuras fazem 70, 80, 100 anos e continuam fundamentais? Além do valor em si, elas olham o mundo com atenção. Elas se interessam pelo outro, pelo que se passa ao redor. Quando a gente para de prestar atenção no que nos cerca... é hora de puxar o carro...


pn:  mario viana por mario viana?
Não guardo segredos, mas sou bem secreto... (de uma canção antiga do Fagner)


pn:  record pra voce é... planos para o futuro?

Quero fazer coisas legais, diferentes, populares (no sentido de falar com muita gente). A empresa até o momento tem me tratado muito bem.


pn:  deixe um recado para seus fãs  que nos sabemos são muitos ...
Jura que tenho fãs?! Venham ver nossas peças, nossos filmes, nossa TV... A gente faz coisa muito bonita no Brasil, não temos do que nos envergonhar (ok, na política temos, mas a vida é mais!)


























Ah! Dia 22/9, estou lançando o livro "Vida & Obra de um Tipo à Toa e Mais Algum Teatro" , às 16 horas, no Espaço dos Parlapatões. Estão todos convidadíssimos!!!!

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