terça-feira


Crítica: Falta de planejamento derrubou audiência e instalou crise na Record


A queda de audiência registrada nos últimos meses pela Record deu início a preocupante crise na emissora. Ninguém fala abertamente sobre o assunto com medo da reação de quem está nos postos de comando. Mas, longe da Barra Funda, há quem reconheça que a pressão por resultados aumentou e que muitos são apontados como culpados, afinal sempre tem alguém tentando se livrar do erro que derrubou o prime-time da emissora.

 

Será que há culpados individuais ou a estratégia montada não teve fôlego? O fato é que muitos reconhecem que já está na hora de entrar em ação um gerenciador de crise para que os péssimos resultados em números não se transformem em armas contra a imagem da emissora. Além disso, concluem, que este é o momento para uma eficiente ação de autopromoção da grade.
Quando a Record deu início ao projeto “A Caminho da Liderança” não economizou investimentos financeiros para o horário nobre. Autores, diretores, atores, produtores e técnicos foram contratados a peso de ouro, tirados da Globo e do SBT para o fortalecimento do departamento de dramaturgia. O sonho de três horários para novelas não consegue se tornar realidade em parte porque não há planejamento com prazo maior. Se o folhetim dá certo, é só esticar para sugar ao máximo o sucesso. Sem frentes de trabalho, é mais difícil administrar um imprevisto como atual. Houve contratação e investimentos, mas não se criou uma “linha de montagem” para as novelas.
Mas os investimentos com o horário nobre também beneficiaram os realities shows, formato que o brasileiro gosta e que é garantia de audiência e faturamento. O “Troca de Família” se esgotou mais cedo do que se imaginava. “O Aprendiz” também perdeu fôlego e “Ídolos” tenta se renovar para mais uma temporada.
A Fazenda” dá sinais de desgaste e já não puxa a mesma audiência. Será que faltou título? Não, mas não houve planejamento correto e, com isso, os executivos deixaram abrir espaço entre o término da bem sucedida “Rei Davi” com “A Fazenda”. Um erro não emendar um produto no outro. Ai veio a repetição de “Vidas Opostas” para instalar definitivamente a crise.
O problema é que a Record acreditou que o SBT não voltaria a crescer e que a Band ficaria estacionada onde estava. Não foi o quer aconteceu. A Band arrumou seu horário noturno e incomoda no prime-time, apesar de na média/dia não afetar muito em função dos resultados ruins da faixa matinal e do horário destinado à programação religiosa. Já o SBT fez a lição de casa e, pelo menos, já não muda tanto seus programas. Lá na Barra Funda acreditaram que em ano de Olimpíadas o grande investimento vai para Londres e que novidades só valem quando os jogos acabarem. Televisão não é assim e o público quer novidades constantes. Só resta então correr contra o tempo.


FONTE: José Armando Vannucci, da Jovem Pan

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